Resíduos de antibióticos no leite:
Um problema que tem solução.
O leite é considerado o alimento
mais perfeito da natureza. Apresenta
uma composição rica em proteínas,
vitaminas, gordura, carboidratos e
sais minerais (principalmente
cálcio), essenciais aos seres
humanos. É produzido durante a
lactação na glândula mamária da
vaca, a partir de elementos que
passam do sangue para as células
especializadas da glândula. Durante
este processo podem passar também
medicamentos ou drogas veterinárias
que foram administrados às vacas
para o controle de alguma doença.
Portanto, sempre que se precisar
medicar ou administrar uma droga à
vaca leiteira, deve-se estar alerta
para a possibilidade de aparecimento
de resíduos no leite.
Prejuízos para a indústria e
problemas para a saúde
O
principal problema para a indústria
é a inibição de culturas lácteas
sensíveis utilizadas na fabricação
de queijos, iogurtes e outros
produtos fermentados. Outros
problemas são a formação de odores
desagradáveis na manteiga e no
creme. A pasteurização tem pouco ou
nenhum efeito sobre o conteúdo de
resíduos de antibióticos do leite.
Os
problemas ligados à saúde pública se
devem à possibilidade de
desenvolvimento de reações alérgicas
ou tóxicas nos indivíduos que
ingerem o leite contaminado com os
resíduos de antibióticos.
As
reações alérgicas se manifestam,
geralmente, como urticárias,
dermatites ou rinites e asma
brônquica. São relacionadas
principalmente com as penicilinas,
mas tetraciclina, estreptomicina e
sulfonamidas podem também ter essa
ação.
Em 1969,
a Organização Mundial da Saúde
propôs que os limites para
penicilina em leite de consumo
humano não deveria exceder 0,006 mg/mL.
Nos países da Comunidade Européia, o
nível máximo permitido de 0,004 mg/mL
foi introduzido em 1985. No Brasil,
a Instrução Normativa 51, do
Ministério da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento, que trata dos
requerimentos técnicos para o leite,
estabelece que o leite deve ser
livre de resíduos de antibióticos e
de outros agentes inibidores do
crescimento microbiano.
Reações
tóxicas são relacionadas a alguns
antimicrobianos com potencial
carcinogênico, isto é, que podem
desenvolver tumores em animais de
laboratório (ex. sulfametazina,
nitrofuranos) ou dar origem a
alterações hematológicas em
indivíduos susceptíveis (cloranfenicol).
Por isso não se admitem resíduos
dessas substâncias no leite, e elas
são proibidas para tratamento de
vacas leiteiras.
Período de carência para o consumo
do leite
O
aparecimento de resíduos de
antibióticos no leite geralmente se
dá após o tratamento de vacas em
lactação por problemas de mastite,
metrite ou outra doença infecciosa,
ou como resultado do tratamento no
início do período seco para
controlar mastite. O tratamento para
mastite tem sido o principal
responsável pelos resíduos no leite.
Mesmo após a aplicação do
antibiótico em somente um quarto
mamário, ocorre o aparecimento de
resíduos no leite dos que não foram
tratados. Isto se deve à absorção do
antibiótico, que passa para a
corrente sangüínea e daí chega aos
outros quartos mamários,
contaminando todo o leite da vaca.
Chama-se
período de carência o prazo de
eliminação do antibiótico no leite,
após a última aplicação. Este
período varia de produto para
produto, e de acordo com a via de
aplicação (intramamária,
intramuscular ou intravenosa).
Sempre que um antibiótico é
recomendado para tratamento de vacas
em lactação, deve-se estar atento
para o período de carência. Isto
significa que neste período todo o
leite da vaca tratada deve ser
retirado do consumo.
Cuidados
para se evitar resíduos de
antibióticos no leite
1.
Identificar os animais tratados e
ordenhá-los separadamente. Assim,
não há risco de mistura acidental do
leite contaminado com o restante do
leite do rebanho.
2.
Respeitar rigorosamente o período de
carência do antibiótico aplicado.
Antibióticos que não trazem esta
informação não devem ser usados para
tratamento de vacas em lactação.
3.
Evitar tratamento da mastite
subclínica durante a lactação, pois
aumenta a possibilidade de
aparecimento de resíduos no leite.
Além disso, o tratamento feito no
início do período de secagem da vaca
apresenta maior taxa de cura.
4.
Evitar aumentar ou reduzir a dosagem
recomendada na bula. Por exemplo, a
bisnaga ou seringa para aplicação
intramamária deve ser aplicada
integralmente em um quarto mamário,
e não dividida para dois ou mais.
5.
Evitar o uso de mais de um
antibiótico diferente no mesmo
tratamento. Isto pode aumentar o
período de excreção de resíduos e
alterar o prazo de retirada do leite
para consumo.
6. Não
usar preparações de antibióticos
recomendados para início do período
seco em vacas em lactação, porque as
primeiras persistem por mais tempo
no úbere.
7.
Controlar a mastite com a adoção de
medidas preventivas e de higiene:
ambiente limpo para as vacas,
manutenção e limpeza adequadas dos
equipamentos de ordenha.
8.
Observar cuidados rigorosos de
higiene na aplicação intramamária de
antibióticos: as tetas devem estar
limpas, secas e previamente
desinfetadas. As cânulas de
aplicação devem estar completamente
limpas e não devem ser reutilizadas.
Isto evita que o próprio tratamento
seja uma fonte de infecção com
microrganismos do ambiente.
Por: Maria
Aparecida V. Paiva Brito - Pesquisadora da
Embrapa Gado de
Leite.